Como sair do rotativo do cartão em 5 passos

Publicado em · 5 min de leitura

Para sair do rotativo do cartão, pare de colocar compras novas na fatura, troque o saldo por uma dívida mais barata (parcelamento, empréstimo ou portabilidade para outro banco) e pague com um valor fixo por mês até zerar. Quanto antes você fizer a troca, menos juros paga: o rotativo está entre as linhas de crédito mais caras do país.

Por que o rotativo é tão caro?

Rotativo é o que acontece quando você paga qualquer valor menor que o total da fatura. A diferença vira um empréstimo automático, sem você assinar nada. Em agosto de 2026, os juros médios do rotativo para pessoas físicas estavam em 15,18% ao mês, segundo o Banco Central. No ano, isso dá cerca de 445%.

Para comparar, no mesmo mês o Banco Central registrou média de 192% ao ano no parcelamento do cartão e 110% ao ano no crédito pessoal não consignado. Todas são caras, mas o rotativo fica muito acima das outras.

O que a lei mudou no rotativo?

Duas regras ajudam quem caiu nele:

  • Só um mês de rotativo. Desde 2017, a Resolução 4.549 do Conselho Monetário Nacional (CMN) diz que o saldo só pode ficar no rotativo até o vencimento da fatura seguinte. Depois disso, ele precisa ser pago ou ir para um parcelamento em condições mais vantajosas que as do próprio rotativo.
  • Teto de 100%. Desde janeiro de 2024, pela Lei 14.690/2023, os juros e encargos do rotativo e do parcelamento da fatura, somados, não podem passar do valor original da dívida. Quem devia R$ 1.000 pode chegar a dever, no máximo, R$ 2.000. A fatura precisa detalhar o valor original da dívida e quanto já foi cobrado de juros e encargos.

O teto evita que a dívida cresça para sempre, mas não deixa ela barata. Dobrar uma dívida continua sendo um péssimo negócio.

Quanto custa deixar a fatura no rotativo?

Imagine uma fatura de R$ 2.000. Você paga R$ 300 e deixa R$ 1.700 para depois.

SituaçãoValor
Saldo que foi para o rotativoR$ 1.700,00
Juros de um mês (15,18%, média do Banco Central)R$ 258,06
Saldo na fatura seguinte, antes de compras novasR$ 1.958,06
Máximo que juros e encargos podem somar (teto de 100%)R$ 1.700,00

Ou seja: em um único mês, mais de R$ 250 só de juros, sem contar compras novas. Para ver a conta com os seus números, use a calculadora abaixo.

Passo 1: pare de aumentar a fatura

Enquanto o cartão continua recebendo compras, a dívida não para de crescer e fica difícil saber quanto você deve de verdade. Durante a saída do rotativo, use débito, Pix ou dinheiro para o dia a dia. Se precisar, tire o cartão do celular e do navegador. É temporário: o objetivo é ter uma dívida com tamanho conhecido.

Passo 2: descubra o tamanho real da dívida

Abra a fatura e anote três números: o saldo total, a taxa de juros mensal e o que a fatura informa como "valor original" e juros já cobrados. Se você tem mais de um cartão, faça isso para cada um. Sem esses números, qualquer plano é chute.

Passo 3: troque o rotativo por um crédito mais barato

Aqui está o maior ganho. Você tem três caminhos, e pode comparar todos antes de decidir:

  1. Parcelamento da fatura no próprio banco. É o caminho mais rápido. A regra do CMN exige que ele seja mais vantajoso que o rotativo, mas compare a taxa e o custo total antes de aceitar.
  2. Empréstimo para quitar o cartão. Um crédito pessoal com juros menores paga a fatura inteira de uma vez. Só vale se a taxa e o Custo Efetivo Total (CET, que soma juros, tarifas, impostos e seguros) forem menores que os do parcelamento.
  3. Portabilidade da dívida do cartão. A Lei 14.690/2023 garante o direito de levar o saldo da fatura, inclusive o que já foi parcelado, para outra instituição. O banco original não pode cobrar pela transferência e pode fazer uma contraproposta.

A troca só funciona se a dívida nova for de fato mais barata. Explicamos como comparar, e os cuidados com golpes, em vale a pena trocar dívida cara por dívida barata.

Passo 4: monte um pagamento fixo que caiba no mês

Defina um valor que você consegue pagar todo mês sem voltar a usar o cartão para fechar as contas. Se ele não couber, o plano quebra no segundo mês. Uma forma de achar esse número é ver quanto da sua renda já está comprometido com o essencial; a calculadora de divisão do salário ajuda nessa conta.

Se sobrar dinheiro em algum mês, use para adiantar parcelas. O Código de Defesa do Consumidor (art. 52) garante que, ao quitar antes, você paga com redução proporcional dos juros.

Passo 5: se houver outras dívidas, ataque a mais cara primeiro

Quem está no rotativo muitas vezes também usa o cheque especial ou tem algum empréstimo. Nesse caso, junte tudo numa lista e direcione o dinheiro extra para a dívida de juros mais altos, mantendo o mínimo nas outras. Esse é o método avalanche, que explicamos com números em como sair das dívidas. Você também pode montar a ordem na calculadora de dívidas.

E depois que sair?

A forma mais simples de não voltar é pagar a fatura inteira todo mês. Isso só acontece com tranquilidade quando existe um dinheiro guardado para imprevistos: é ele que paga o conserto do carro ou o remédio, em vez do cartão. Quando a dívida acabar, comece a separar uma parte do valor que ia para as parcelas e veja como montar uma reserva de emergência.

O próximo passo hoje: abra a fatura, anote o saldo e a taxa e simule quanto ela cresce se ficar onde está. Com esse número na mão, fica bem mais fácil decidir pela troca.

Perguntas frequentes

Quanto tempo posso ficar no rotativo do cartão?

No máximo até o vencimento da fatura seguinte. Depois disso, pela Resolução 4.549 do Conselho Monetário Nacional, o que sobrou precisa ser pago ou ir para uma linha de parcelamento em condições mais vantajosas que as do rotativo.

Existe limite para os juros do rotativo?

Sim. Desde janeiro de 2024, a Lei 14.690/2023 e a Resolução CMN 5.112/2023 determinam que juros e encargos do rotativo e do parcelamento da fatura, somados, não podem passar do valor original da dívida. Uma dívida de R$ 1.000 pode chegar a, no máximo, R$ 2.000.

Posso levar a dívida do cartão para outro banco?

Pode. A Lei 14.690/2023 garante a portabilidade do saldo devedor da fatura, inclusive de valores já parcelados. O banco que recebe a dívida apresenta uma proposta com o Custo Efetivo Total, e o banco original não pode cobrar de você pela transferência.

Pagar o mínimo da fatura tira do rotativo?

Não. Pagar o mínimo evita o atraso, mas o restante da fatura entra no rotativo e passa a pagar uma das taxas mais altas do mercado. Em agosto de 2026, a média do rotativo era de 15,18% ao mês, segundo o Banco Central.

Fontes

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